Todo o jogo foi construído ao redor de uma única imagem icônica: a de um cavaleiro medieval, porém um montando uma Harley Davidson em vez de um cavalo, vestindo couro e capacete, portando um escudo improvisado com uma placa de trânsito e armas medievais como espada e lança de justa.

A imagem surgiu 15 anos atrás, quando ainda éramos adolescentes, e a partir dela construímos as bases de um cenário: tendo-nos parecido intuitivamente apropriado contextualizar a imagem num cenário pós-apocalíptico, a ela acrescentamos outros elementos como um antagonista base para o cenário: um governo teocrático “do mal”, a religião-estado conhecida apenas como Irmandade.

O título, Metalpunk, teve como inspiração o nome do subgênero da ficção-científica, o cyberpunk. Metal porque este é o material mais abundante e mais importante num cenário em grande parte regredido a uma cultura e tecnologia medievais, onde, por razões ideológicas e religiosas, os conflitos são resolvidos por combate corpo-a-corpo (“só os fracos e covardes usam armas de fogo”); punk porque essa palavra descreve bem a moda comum – couro, farrapos, armaduras improvisadas e decadentes – e a atitude coletiva – antiautoritária, individualista, não raro anárquica. Por último, as suas palavras constituintes, Metal e Punk, são as mesmas tanto na língua portuguesa quanto na inglesa.

O jogo teve muitas edições e chegou até a mudar de nome ao menos uma vez (para “Psirising”). Teve igualmente várias combinações de raças e arquétipos (tipos de personagens), assim como de sistemas de regras (o primeiro era percentual, isto é, usava características medidas na escala de 0 a 100% e as testava com um d100). A primeira edição que desenvolvemos de cabo a rabo enviamos para a Devir, que gostou muito mas desejava publicar apenas se fosse transformada num suplemento para GURPS, o que recusamos fazer, acreditando já então firmemente na filosofia de “para cada cenário um sistema”, ao que voltaremos em posts futuros.

Tudo isso quer dizer que o jogo já está 15 anos em processo de desenvolvimento. Obviamente não passamos esses 15 anos desenvolvendo o MP em tempo integral. Diversas foram as vezes em que colocamos o projeto de lado para priorizarmos outras fases e acontecimentos da vida. Hoje ele tem todo o potencial que gostaríamos de atingir em termos de desenvolvimento, bem como um mercado mais amplo, amadurecido e acolhedor do que aquele no final dos anos 90.

A edição atual é a primeira de fato comercial e certamente a mais madura em todos os sentidos.

Ela contempla um cenário muito mais amplo e complexo, além de um novíssimo sistema de regras cujo desenvolvimento é, de fato, a tarefa mais difícil com que nos deparamos nesses 15 anos de experiência com criação de jogos. A reação dos primeiros playtesters ao sistema de combate foi tão entusiasmada que baseados nela resolvemos lançar, em breve, esse sistema gratuitamente na forma de um pequeno wargame de duelos individuais ou entre pequenos grupos, intitulado Metalpunk Arena, com o intuito de servir de beta para o sistema de combate, além de uma preview do jogo completo.

Por |2016-02-01T13:06:32+00:001 de fevereiro de 2016|Desenvolvimento, Metalpunk|0 Comentários

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