Desde o início nossas discussões ideológicas foram ferrenhas. Criar jogos e sistemas não é das tarefas mais simples e, embora seja empolgante na maioria dos momentos, torna-se facilmente extenuante dependendo de até onde você mergulha nas próprias criações. Se unirmos a tarefa ao ambiente, que no caso é o mercado brasileiro com todas as suas particularidades e desafios, temos um conjunto de ingredientes que formam a receita perfeita para puxar os cabelos até que ela fique “no ponto”. Por fim ainda existem as influências. Como menciono no post#designdiferente, é muito complicado abandonar os modelos e referências que temos. Tendo todo esse cenário como ponto de partida, eu proponho algumas perguntas em um exercício de “brainstorming” coletivo, um “crowdstorming”: até aonde se deseja ir em termos de inovação? Vale a pena o esforço? A comunidade aceita novos modelos ou prefere o tradicional?

Será que dá pra fazer a diferença – fazendo diferente?

Para começar a conversa é necessário clarear um pouco o assunto. Quando eu digo “Sistemas Inovadores” não me refiro somente a sistemas de regras ou jogo, mas a todo o modelo de negócios que pretendemos assumir para nossos produtos e a comunidade de jogadores ao qual fazemos parte. Como estamos discutindo esses produtos (no caso jogos), preciso também deixar claro que chamo todos os jogos de Tabletop Games (o que inclui, boards, cards, RPGs e wargames). Faço essa escolha por três razões:

  1. No Brasil não há uma coerência de idiomas quando categorizamos os jogos. Veja só: nós chamamos de wargames, mas não de jogos de guerra; chamamos de RPGs mas não de JRP (jogos de representação de papeis); mas os boardgames chamamos de jogos de tabuleiro e os cards, chamamos de cartas. Fica uma mistura de inglês e português, então eu deixo tudo com o nome original para facilitar.
  2. Na era da internet, faz muito mais sentido os nomes serem mais curtos e diretos. Nesse ponto o idioma original em inglês leva vantagem, saca só essas hastags:
    • #euamojogosderepresentacaodepapeisejogosdetabuleiro
    • #euamojogosderepresentacaodepapeiseboardgames
    • #euamoroleplayinggameseboardgames
    • #euamorpgeboardgames
    • #euamorpgeboards
    • #euamorpgebg
    • #amorpgebg
    • #♥rpgebg
  3. Por último, chamando de tabletop games acabo abrangendo tudo aquilo que vc põem na mesa para jogar com os amigos. Não importa se são boardgames, cardgames, wargames, role-playing games, dice games ou o que quer que venha a surgir no futuro. O termo é abrangente o suficiente para funcionar agora e provavelmente continuará sempre aplicável.

A nossa conversa sobre “Sistemas Inovadores” já começou com o básico, reparou? Iniciamos discutindo o próprio conceito e como chama-lo. Fizemos uma releitura simples de como cada um enxerga os próprios termos em discussão. Esses exercícios partem sempre do mais óbvio para aquecermos a conversa.

Mas, claro, a ideia é expandir ainda mais o tema. Para isso eu proponho iniciarmos com algumas perguntas simples (eu já tenho as minhas respostas e conclusões), vamos reavaliar juntos o próprio cenário dos tabletop games.

  1. Apesar de algumas iniciativas de mudança, por que os modelos de comercialização continuam praticamente os mesmos durante décadas?
  2. Tudo bem que a tendencia está mudando também, mas por que a comunidade de jogadores ainda influencia tão pouco o desenvolvimento dos jogos (isso comparado com os jogos digitais, por exemplo)?
  3. Por que ainda existe um certo receio por parte dos desenvolvedores em abrirem suas ideias para o público em geral?
  4. Pense nas 3 perguntas anteriores sobre o ponto de vista global e depois do regional. Existe diferença? Sim/Não?
  5. Por último, formule seu próprio questionamento. Na sua opinião, o que deveria ser revisto/revisitado/repensado quando tratamos o tema dos TTGs?

A indústria do entretenimento analógico precisa mudar. Nós acreditamos e fomentamos as mudanças. Poste suas opiniões (flamers, fiquem à vontade: “aqui sempre rola um PVP”… lol). Eu retorno com as minhas na continuação desse post em breve.

Até

Por |2016-01-26T20:30:17+00:0026 de janeiro de 2016|Game Design|0 Comentários

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