Existe espaço para tudo – e cada vez mais. Acreditamos que quanto mais cresce a população com acesso à cultura de massas, maior o público para todo tipo de hobby, por mais de nicho ou “antiquados” que os tabletop games sejam ou possam ser considerados, e por mais que o crescimento ou tamanho desse público seja sempre ínfimo perante outros públicos ou a grande população. É, com ressalvas, a já manjada comparação com o rádio que supostamente seria extinto pelo cinema que seria extinto pela TV que seria extinta pelo PC… ou da mídia impressa que seria extinta pela digital: creio que não para sempre mas pelo menos por muito tempo ainda haverá – e cada vez mais conforme a população nos países privilegiados cresce, como já dissemos – um público para cada mídia ou hobby, por mais periférico que este venha a se tornar ou parecer.  Mas cada caso merece e deve ser analisado individual e independentemente, começando por se identificar e qualificar as características que possam ser as responsáveis pelas almejadas durabilidade e atratividade de determinado hobby. No caso do RPG de mesa, primeiro, suas potencialidades só serão desafiadas (mas não “vencidas”, cremos, uma vez que usam e estimulam a imaginação ao invés de lhe dar tudo de mão beijada) com o surgimento de ambientes virtuais da complexidade de uma Matrix (que dá tudo de mão beijada, ou já imaginado, ou pronto) – de resto, nada se compara à “plataforma” RPG, à sua capacidade de gerar envolvimento e imersão, à infinitude de sua capacidade de representar, sempre de forma nova, qualquer gênero ou tipo de história…; e segundo, a influência que o RPG por excelência, o D&D, tem em todas as indústrias de jogos vem se transformando, desde suas origens, em reputação que por sua vez converte-se na curiosidade e popularidade perenes pela/da coisa original. Exemplificando: até um Magic se inspirou nos elementos fantásticos popularizados pelo D&D, isso sem contar a miríade de jogos eletrônicos, dos de ação aos RPGs digitais propriamente ditos, indo parar nos MMOs e não apenas nos tematicamente fantásticos – para que se reconheça num jogo influências do D&D basta que ele use personagens solitários ou em grupos que persistem em ambientes maiores e neles evoluem com base em aventura e combate (leia-se: violência eufemisada), ganho de pontos de experiência e pilhagem de tesouros (leia-se: bandidagem na caruda).

Uma maneira sumária de ilustrar esse ponto é esta: se os tabletop games não tivessem seu lugar e não vendessem – e muito –, a Steve Jackson Games não teria lançado o GURPS quarta edição e sim um MMO genérico, ou a Wizards of the Coast não teria recém-lançado o D&D quinta edição e sim um MMO e passaria a competir com a Blizzard… que por sua vez tem praticamente todas as suas propriedades intelectuais baseadas (tanto em cenário quanto em mecânicas) no universo fantástico dos RPGs, aliás seu maior jogo, World of Warcraft, é um MMORPG que sobrevive há quase de dez anos em uma indústria onde os títulos não sobrevivem mais que poucos meses como hits. Coincidência?

Por |2015-11-24T21:45:41+00:0024 de novembro de 2015|Kronos Games|0 Comentários

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